13 de agosto de 2016

Chapada dos Veadeiros é boa, bonita e barata

O principal ponto de banho da trilha Saltos/Corredeiras








Confesso que sempre que alguém me sugeria gastar alguns dias na Chapada dos Veadeiros eu fazia cara de desconfiada. Eu tinha a ideia de que o parque era daqueles em que você anda, anda e anda e o máximo que tem como recompensa é uma visão à distância de suas belas cachoeiras. Mas eu estava errada! A chapada do interior de Goiás permite a seus visitantes desfrutar de suas belezas, além de contemplá-las.

Claro, que, para isso, é exigida uma dose de sacrifício. Eu conheci as duas trilhas mais visitadas no parque (Canyons e Saltos/Corredeiras). Em qualquer uma delas, uma hora e meia de caminhada em trilha de terra, conhecendo a vegetação típica do cerrado brasileiro, é suficiente para chegar a poços de água com piscinas enormes e cristalinas. São cachoeiras com banho garantido e na companhia de pequenos peixes.


Em águas transparentes, cardumes de peixinhos dividem as piscinas naturais com os banhistas 
A entrada no parque é gratuita e não é necessária a presença de guia para fazer as trilhas. Elas são bem sinalizadas e têm opção das mais leves às mais difíceis. As trilhas dos Canyons e Saltos/Corredeiras têm um percurso de cerca de 11 quilômetros (ida e volta) cada. É recomendável que se faça uma trilha por dia para aproveitar cada ponto de parada. Eu comecei cada trekking por volta das 10 horas e às 17 horas estava de volta na recepção do parque. Tudo num ritmo agradável, parando em todos os locais para banho, curtindo o sol em prainhas de areia ou jogada sobre uma das pedras das cachoeiras.

Trilha dos Canyons oferece mergulho entre paredões com cachoeira no final da linha
Não esqueça de levar água e o próprio lanche porque não há local para comprar nada na hora que bater a fome e a sede. O inverno, temporada de seca na região, é a melhor época do ano para aproveitar as cachoeiras. Pode parecer estranho, mas é nessa época que todas as cachoeiras estão liberadas para os turistas. Na estação das chuvas, elas ficam muito cheias e, por segurança, algumas são interditadas.

Mergulho cheio de adrenalina no canyon
A Cachoeira das Carioquinhas é outra opção de banho na trilha dos Canyons. A cachoeira é enorme, com muitas quedas d'água e de vários tamanhos. Há até areia fina e branquinha para esticar uma toalha e descansar.

Uma das quedas d'água da cachoeira das Carioquinhas


Na trilha Saltos/Corredeiras, também há duas opções de banho, mas a primeira atração é uma das quedas mais altas do parque. Nesse caso, a beleza é só para ser admirada.



Pouco mais de uma hora de caminhada a partir da recepção do parque chega-se a uma cachoeira própria para banho. Entre tantas quedas da Chapada esta me chamou a atenção pela vegetação no entorno. São árvores muito altas, algo não muito comum no Cerrado, que refletem na água do poço da cachoeira criando uma paisagem incrível. É parada obrigatória!


Por fim, mais uns 20 minutos de trilha e chegamos nas Corredeiras. É um conjunto de "jacuzzis" naturais com pequenas quedas d'água que fazem uma massagem deliciosa. O terreno é um labirinto de pedras, onde se pode caminhar e testar várias cachoeirinhas.

Uma das "jacuzzis" naturais das Corredeiras

Fim do segundo dia de trekking na Chapada dos Veadeiros

 Não é só dentro do parque que existem atrativos para os turistas. Do lado de fora, há inúmeras cachoeiras que, embora em áreas privadas, são abertas à visitação mediante o pagamento de um ingresso. Em geral, cobram R$ 20 por pessoa. Como fiquei apenas dois dias e meio na região, visitei somente a cachoeira Morada do Sol/Vale das Andorinhas, acessível a 20 minutos de caminhada depois de parar o carro num estacionamento. No entardecer, visitei uma das termas da região (Eden Termas) com piscinas naturais de águas mornas. O acesso também se dá por uma curta caminhada (10 minutos).

Vale das Andorinhas, lugar para respirar fundo e meditar

Se cansou de cachoeira, pode-se contemplar na beira da rodovia que leva ao parque o Jardim de Maytreia, um local valorizado por místicos que afirmam existir ali um campo de força magnética. O pôr-do-sol nesse local é lindíssimo.



A base para todos esses passeios é o vilarejo de São Jorge, que fica a cerca de 30 quilômetros da cidade de Alto Paraíso, conhecida pelo turismo místico. A vila é bem simples e rústica, tem ruas de terra e poucas opções de restaurante. Recomendo o caldo de cana feito na hora num barzinho na rua principal para repor as energias depois de um dia de trilha.

Partindo de Brasília, são duas horas e meia de carro até São Jorge. Para circular pela Chapada, é interessante ter um carro porque as cachoeiras ficam distantes umas das outras. De São Jorge até a entrada do parque são cerca de 3 quilômetros. Mais informações:
http://www.icmbio.gov.br/parnachapadadosveadeiros/

Está certo que o Cerrado não é um bioma exuberante em termos de vegetação. Mas isso não significa que não exista beleza. Ela só é mais tímida. Quem procurar, acha!







Um comentário:

  1. Gostei da dica, Sílvia. Bastante atraente e simples. Do jeito que eu gosto e pertinho da gente. Valeu! Agradecido.

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